
Vamos aos supostos motivos! Ele vira rico do dia para a noite e se apaixona por Sofia, que lhe nega a reciprocidade amorosa. Esta delata ao seu marido (Cristiano Palha) a "cantada" que Rubião lhe dera. Palha, ao contrário do que a grande maioria faria, vê uma oportunidade: tentará ficar rico às custas de Rubião e por sua vassalagem em relação à Sofia. Claro que estou sendo simplista, mas a ideia é por aí. OK! O cara é apaixonado e não correspondido, logo é a vítima, aquele que perde na batalha em busca das batatas. Calma, essa é só a primeira parte.
Segundo: o cara vira rico do nada, sai de sua cidade lá de Minas Gerais e vem pro Rio de Janeiro (que era a capital imperial, cidade mais rica e mais ilustre da época, além de ser a cidade de Machado, o cara tinha que puxar saco mesmo!). Enfim, o cara chega rico, sujeito novo na cidade, vai "conquistando" as pessoas, degraus políticos além de supostos amigos (entre eles nosso camarada Palha). A partir do momento em que ele passa a corromper sua herança, comprando presentes e fazendo ações de caridade que aumentariam sua imagem perante Sofia, esses amigos vão se afastando cada vez mais. E pra fechar com chave de ouro, o cara passa a ficar louco. Louco por amor, por sua solidão, não sei e creio que nem seja a intenção do autor apresentar tal resolução.
É legal a forma que Machado coloca esse afastamento da sociedade carioca em relação a ele: passa, numa determinada altura do livro, vários capítulos sem citar o nome dele. Enquanto isso, cita os cariocas que se dão cada vez melhor, vão se casando, se acomodando na vida. Palha fica muito rico, um outro lá que queria um cargo político consegue o desejado... enquanto nosso pobre mineiro nem sequer é citado.
Legal! O cara vai ficando louco e volta para sua cidade mineira. Chega lá, juntamente com o cão Quincas Borba, que nunca o deixara (o que é muito legal, que de certa forma representa o ideal filosófico Humanitista que nunca deixou Rubião). Percebe que a cidade mudou em alguns aspectos, fica ali, meio que perdido. Uma parente sua encontra ambos e cuida deles. Finalmente, ele tem um acesso, creio que um momento epifânico e grita "Ao vencedor as batatas", parece que finalmente entendendo as coisas por que passara e sucumbe. Em seguida, o cão morre.
Enfim, é isso. Tenho que reconhecer que viajei animal quando falei em postagem anterior que machado estava com aquele lance de Romantismo e tal... Bem, ele acaba com isso legal. Desmistifica essa questão de romantismo de uma forma interessante, colocando o amante romântico num patamar que beira a idiotice. Enquanto o objeto de adoração é muito ao contrário de ser idealizada: Machado insere nela vários elementos que contrariam a moral idealizada. Além disso a frase "ao vencedor as batatas" é uma das mais famosas do escritor.
A leitura é interessante, recomendo. Existem algumas partes que são meio que desnecessárias, mas vá lá. O cara sabe escrever, tem seus méritos. Teriam muitas outras coisas a serem ditas, mas creio que, para as intenções deste blog, isso é o suficiente. Caso haja interesse em mais elementos, eventuais discussões, aprofundamentos, só postar!
Agora é só acabar de ler Quando Nietzsche Chorou e continuar com o trabalho. Até lá!
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