sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Resenha Quando Nietzsche Chorou

Ok! Terminei a leitura do livro. Livro legal, bom de ler, tem um ritmo bem desenvolvido, não fica preso a (muitas) chatices e diálogos desnecessários. Tudo bem que a cada capítulo o autor Irvin Yalom resolve descrever a culinária que os personagens iam comer, mas passa.
Breve resumo: O doutor Josef Breuer é um médico que clinica na cidade de Viena e ficou famoso por tratar uma paciente, que havia suspeita de histeria, através de uma abordagem psicanalítica. Detalhe: a psicanálise não existia ainda. Freud (o cara que vai conceber e dar o acabamento ao termo Psicanálise) é amigo desse doutor, com quem compartilha as ideias, dá sugestões e por aí vai. Do nada, surge uma mulher lindíssima, a Lou Salomé. Ela pede auxílio a esse doutor para curar um amigo de uma doença: desespero. Adivinhem quem era o amiguinho de Lou? Sim, Friedrich Nietzsche. Bem, daí todo mundo já imagina o que vai acontecer, né? O cara vai lá, vai contornando até chegar ao ponto principal, onde o filósofo se abre com o médico e é "curado" dessa doença.
Conheço um pouco da biografia dele, mas do pouco que sei, tenho ciência de que o cara sofreu quase que a vida inteira. Segundo Yalom, os dados médicos coletados sugerem que ele sofria de enxaquecas e mais umas outras coisas. De qualquer forma, uma pessoa que tem desestabilidade familiar, sofre de doenças durante uma vida, não se adapta a quase clima nenhum é, pra falar o mínimo, um cara meio decepcionado com a vida. Esse é um mérito, ou melhor, um "semi-mérito" do autor, já que coloca o filósofo como uma pessoa bastante ácida, bastante difícil de ser tratada.
O livro vale também porque ele coloca algumas citações dos livros-base dele, como A Gaia Ciência e Humano, Demasiado Humano. Além de, constantemente, fazer referência ao livro Assim falou Zaratustra.
Até um pouco depois da metade do livro, é legal, vai bem. Nietzsche é totalmente adverso, não quer saber de nada de conversinha furada com o doutor. Mas vai chegando num ponto, que ele começa a ir amaciando, ficando fofinho com o Doutor Breuer... Cara, isso dá um ódio sem tamanho. Chega uma hora, que estão dando um rolê num cemitério e de repente o nosso grande filósofo pessimista, que não queria saber de nada, dá o bracinho pro doutor e passam a andar de braços dados. (Ok, isso na época em que a história se passa, e o frio desgraçado que é na Alemanha no inverno, até amenizam um pouco, mas não dá pra perdoar mesmo assim)
Enfim, como era de se esperar, até mesmo pelo título, o doutor dobra o filósofo. Este chora igual a menininha que perdeu um brinquedo e depois fica tudo bem.

Claro que estou esculhambando um pouco, o livro é válido. Tem citações de Nietzsche, o que só por isso já vale e muito. Quem não tem gabarito pra ler O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, pode ler esse. Aliás, comecem com esse! É legal ver possíveis diálogos do filósofo, vê-lo, de certa forma, vivo, como se fosse possível atingi-lo. Gosto da seguinte frase: "o orvalho cai mais abundantemente quando a noite é mais silente". Dispensa comentários. E, pra finalizar, gostaria de propor a seguinte questão: Até que ponto há aplicação real da filosofia de FN e quanto é possível ser aplicada à vida cotidiana?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Quincas Borba - Final


Demorei a escrever sobre as impressões finais e conclusivas deste livro, como que numa espécie de reflexão, de degustação das impressões que tive durante a leitura, ao final e enfim, o que cerca essa obra. Como dizia anteriormente, Rubião está então num estado de doença; esta é na verdade a loucura que começa a tomar conta dele e que desencadeia em sua total perda de noção da realidade. É interessante fazer um paralelo ao Humanitismo postulado pelo filósofo (e dono da herança que Rubião recebera) Quincas Borba e a vida do suposto protagonista. Ao expressar sua filosofia e a máxima "Ao vencedor as batatas" Rubião não entende o significado disso, porém sua vida é a exemplificação dessa filosofia.
Vamos aos supostos motivos! Ele vira rico do dia para a noite e se apaixona por Sofia, que lhe nega a reciprocidade amorosa. Esta delata ao seu marido (Cristiano Palha) a "cantada" que Rubião lhe dera. Palha, ao contrário do que a grande maioria faria, vê uma oportunidade: tentará ficar rico às custas de Rubião e por sua vassalagem em relação à Sofia. Claro que estou sendo simplista, mas a ideia é por aí. OK! O cara é apaixonado e não correspondido, logo é a vítima, aquele que perde na batalha em busca das batatas. Calma, essa é só a primeira parte.
Segundo: o cara vira rico do nada, sai de sua cidade lá de Minas Gerais e vem pro Rio de Janeiro (que era a capital imperial, cidade mais rica e mais ilustre da época, além de ser a cidade de Machado, o cara tinha que puxar saco mesmo!). Enfim, o cara chega rico, sujeito novo na cidade, vai "conquistando" as pessoas, degraus políticos além de supostos amigos (entre eles nosso camarada Palha). A partir do momento em que ele passa a corromper sua herança, comprando presentes e fazendo ações de caridade que aumentariam sua imagem perante Sofia, esses amigos vão se afastando cada vez mais. E pra fechar com chave de ouro, o cara passa a ficar louco. Louco por amor, por sua solidão, não sei e creio que nem seja a intenção do autor apresentar tal resolução.
É legal a forma que Machado coloca esse afastamento da sociedade carioca em relação a ele: passa, numa determinada altura do livro, vários capítulos sem citar o nome dele. Enquanto isso, cita os cariocas que se dão cada vez melhor, vão se casando, se acomodando na vida. Palha fica muito rico, um outro lá que queria um cargo político consegue o desejado... enquanto nosso pobre mineiro nem sequer é citado.
Legal! O cara vai ficando louco e volta para sua cidade mineira. Chega lá, juntamente com o cão Quincas Borba, que nunca o deixara (o que é muito legal, que de certa forma representa o ideal filosófico Humanitista que nunca deixou Rubião). Percebe que a cidade mudou em alguns aspectos, fica ali, meio que perdido. Uma parente sua encontra ambos e cuida deles. Finalmente, ele tem um acesso, creio que um momento epifânico e grita "Ao vencedor as batatas", parece que finalmente entendendo as coisas por que passara e sucumbe. Em seguida, o cão morre.



Enfim, é isso. Tenho que reconhecer que viajei animal quando falei em postagem anterior que machado estava com aquele lance de Romantismo e tal... Bem, ele acaba com isso legal. Desmistifica essa questão de romantismo de uma forma interessante, colocando o amante romântico num patamar que beira a idiotice. Enquanto o objeto de adoração é muito ao contrário de ser idealizada: Machado insere nela vários elementos que contrariam a moral idealizada. Além disso a frase "ao vencedor as batatas" é uma das mais famosas do escritor.



A leitura é interessante, recomendo. Existem algumas partes que são meio que desnecessárias, mas vá lá. O cara sabe escrever, tem seus méritos. Teriam muitas outras coisas a serem ditas, mas creio que, para as intenções deste blog, isso é o suficiente. Caso haja interesse em mais elementos, eventuais discussões, aprofundamentos, só postar!
Agora é só acabar de ler Quando Nietzsche Chorou e continuar com o trabalho. Até lá!




terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Quincas Borba – Parte II

Ainda estou achando um tanto estranho este livro de Machado. Não que ele não tenha seu valor, absolutamente. O cara sabe escrever, sabe expressar ideias, tem "a manha" com as palavras. É realmente habilidoso. Mas estou começando a achar muito chatinho esse negócio do Rubião ficar o tempo todo atrás de Sofia, e pior: agora o cara tá doente! Tem uns acessos de vez em quando e se declara pra ela, diz coisas para os outros... Enfim, o livro é válido para retratar as frivolidades da época, as relações sociais altamente movidas pelo interesse, como os "comensais" que se reúnem (ou reuniam) na casa de Rubião. Até então estou tentando descobrir por que raios o nome do livro é Quincas Borba. Não justifica ser somente pela herança deixada ao Rubião, ou quiçá pelo cão que recebe o mesmo nome. Também não se justifica pelas esporádicas menções feita a ele... creio que tenha, de alguma forma, relação com sua filosofia "ao vencedor as batatas", que Rubião gostou no início do livro. Espero até o fim do livro sacar isso.

PS: estou lendo também Quando Nietzsche chorou, de Irvin Yalom. Logo postarei minhas impressões a respeito.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quincas Borba

Estou lendo Quincas Borba, de Machado de Assis. Há muito que tenho este livro e estou para lê-lo, resolvi iniciar de uma vez. Após ter lido os primeiros 50 capítulos, tive uma sensação estranha. Será que o tão famoso "divisor de águas" que é Machado de Assis não se desvencilhou totalmente do Romantismo? Ao ver Rubião todo idiota pra cima de Sofia, combinando de olhar para a lua num momento único, momento em que "suas almas estariam ligadas" (blagh), tive a sensação de que ele, embora todo crítico em relação a isso, ainda tenha um pezinho nesse período. Espero que ele justifique no decorrer do livro essa bobagem...
E em relação ao próprio Rubião, o cara tem medo de Quincas Borba (falecido) estar no cão, cujo o nome é o mesmo do antigo dono (Quincas Borba). Quanta culpa carrega o menino Rubião, né?
Ao longo da leitura irei colocando mais informações e impressões.
Até!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rebarbatividades

Por que desse título?
Definição de Rebarbativo: que acumula adiposidade na maxila inferior, à semelhança de uma barba (diz-se de indivíduo). No sentido figurado, que demonstra mau humor ou estado de espírito carregado, sombrio; carrancudo, rude. Por extensão de sentido, que causa estranheza, que desagrada, por destoar do normal, do comum.
Desse modo, terei o imenso prazer de discutir temas que sejam rebarbativos, que causem estranheza, que destoem, que desagradem (num sentido de transcendência). Gerarei REBARBATIVIDADES.